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Artur Oliveira comenta saída do Remo: 'só tenho a agradecer'


Na última terça-feira (26), foi oficializada a saída de Artur Oliveira, 48, do comando técnico do Clube do Remo. Ídolo da torcida e com histórias memoráveis pelo time, nessa última passagem pela agremiação o profissional não conseguiu escrever novo capítulo positivo. Em menos de um mês de trabalho, Artur, que chegou com a missão de reerguer o time na Série C e brigar o acesso, fracassou no projeto, sem conseguir vencer nos seus quatro jogos à frente da comissão técnica, com três derrotas e um empate. Em entrevista ao Bola, o agora ex-comandante que aproveita as férias com a família em Fortaleza, explicou os motivos por não ter conseguido repetir o trabalho positivo como o qual realizou no Bragantino no final de 2017 e no começo desse ano. Sob o olhar de quem conhece futebol, Artur detalhou os pontos negativos do atual plantel azulino, se toparia assumir novamente o Leão e se acredita que o Remo vai escapar do rebaixamento. Confira.

P: Artur, como você avalia essa sua passagem no Remo. Pode se dizer que foi frustrada?

R: Em primeiro lugar eu só tenho a agradecer ao clube pela oportunidade. Infelizmente o resultado não apareceu. Nós massacramos os adversários, todo mundo viu que jogamos bem. Chegamos a fazer 90 minutos de qualidade. Mas, infelizmente, os dois resultados em casa foram golpes muito duros, principalmente para mim, que conheço e sei como é a torcida, porque também sou torcedor. Foi uma passagem diferente do que eu imaginava, mas não tenho do que reclamar, foi um aprendizado que faz parte. Não diria frustrada, mas talvez uma passagem sem muito sucesso.

P: Você fez várias mudanças no time enquanto esteve à frente do comando técnico, mas nenhuma conseguiu vencer em campo. O Remo errou na formação do elenco?

R Não posso dizer se errou na formação, mas, em todos os treinos, o que esses jogadores me mostraram foi algo extraordinário. Uma entrega, compromisso fora de série. Foi como disse para cada um deles: vocês não merecem esses resultados. É um grupo bom, motivado. Quando encaixar, eu sei que o time vai conquistar coisas boas na competição, talvez não fosse para ser comigo, mas eu espero do fundo do coração que quem for assumir possa levar o time para onde merece.

P: O título do Estadual, pela circunstância que foi, pode ter atrapalhado o planejamento do time na Série C?

R: Os problemas na verdade são vários. Todos viram. Três treinadores no ano, uma hora vai mal, né? Começa com um, passa para outro. É aprender e evoluir. Eu sei que, no futebol, o que importa é o resultado, mas o planejamento por trás, a confiança, é muito importante, e quando isso não é tão valorizado, às vezes acabam acontecendo de uma forma diferente.

P: Em certo momento você chegou a reclamar da quantidade de críticas que vinha recebendo por parte da torcida, juntamente com o grupo. Acha que sua imagem sai um pouco chamuscada?

R: Não. O que construí no clube vai durar para sempre. Tive histórias lindas e vitoriosas, tanto como jogador quanto como técnico. Tive o prazer de colocar o time na primeira divisão do Campeonato Brasileiro, pude dar um retorno financeiro muito bom depois que fui para Portugal. Mas acima disso eu prego muito amor e respeito por esse clube e todos sabem que é verdadeiro. O que eu fiz vai ficar para sempre e a torcida sabe disso.

P: Um dos motivos que culminou com a sua possível saída foi uma suposta debandada no grupo, deixando-o isolado, fazendo com que você perdesse a liderança entre os jogadores. De fato isso aconteceu?

R: Em nenhum momento isso aconteceu. Como falei, esse é um grupo muito bom de trabalho, de jogadores comprometidos e que tem em mente a vontade de crescer. Mas é aquela coisa, quando a fase não é boa, nada acontece. Contra o Globo-RN nós saímos na vantagem com um gol do Isac, que muitos criticavam, e sofremos um gol impedido. Depois, em um gramado quase perfeito, aconteceu de a bola quicar na frente do Vinícius. Não tenho do que reclamar deles, são boas pessoas e que me fizeram ter uma experiência incrível.

P: Você se enxerga comandando o Remo novamente depois dessa passagem pelo clube?

R: Desde que eu tenha possibilidade de começar o projeto, de poder fazer parte da caminhada e de ajudar a formar e a tomar decisões, sim. O futuro a Deus pertence. Apesar dessas derrotas, assim, saio com a consciência tranquila, fiz o meu melhor e todo mundo viu isso. Consegui fazer o time jogar coletivamente, mas futebol é aquilo. Agora, assumir desse jeito, com o bonde andando, nunca mais.

P: Depois de tudo que viu e presenciou no Remo, você acredita que o Remo conseguirá escapar do rebaixamento?

R: A situação é complicada, mas temos um plantel de qualidade. Encontrei um grupo que cresceu muito. Me deixou muito triste os resultados não virem, principalmente não poder fazer os seis pontos em casa. O time tem que fazer os pontos em casa, tem quatro partidas e, para não correr o risco, precisa vencer fora também. Espero que a sorte possa aparecer, porque o time está no caminho certo. Posso dizer uma coisa: o Remo não vai cair. Se fizer uma sequência boa, irá brigar para conquistar a classificação. É difícil? É, mas o Remo não vai cair.

(Matheus Miranda/Diário do Pará)
02/07/2018

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