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Colecionador de gafes, coronel Nunes preside CBF sem se expor

(Foto: Ricardo Amanajás)

Às vésperas da Copa do Mundo de 2018, o presidente interino da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), o paraense Antônio Carlos Nunes, comanda a entidade longe dos holofotes. Substituto de Marco Polo Del Nero, banido do futebol por 90 dias pela Fifa, coronel Nunes, como gosta de ser a chamado, é blindado pela cúpula da confederação para evitar polêmicas. Nos raros eventos públicos aos quais comparece fora da confederação, ele entra e sai com ajuda de aliados, que têm a missão de afastá-lo dos microfones de jornalistas.

O ex-oficial da Polícia Militar do Pará não deu entrevistas aos principais meios de comunicação do país para falar sobre seus projetos para a entidade desde que a assumiu, em 15 de dezembro.

Caso Del Nero seja banido definitivamente pela Fifa, o paraense de 80 anos vai comandar a confederação até ao menos abril de 2019, quando acaba o atual mandato.

Nestes quase dois meses no cargo, o cartola optou por viajar pelo Brasil. A última viagem foi para Rio Branco, no Acre, onde fez o lançamento da Copa Verde, no dia 30. Xodó do cartola, o torneio reúne clubes das regiões Norte e Centro-Oeste, além de times do Espírito Santo. Bancada pela CBF, a competição serve para agradar os presidentes das federações locais em troca de apoio político. Na maioria dos estados envolvidos no campeonato, o futebol é praticamente amador.

O dirigente é protegido pela cúpula da entidade para afastá-lo de constrangimentos. Coronel Nunes é conhecido por colecionar gafes.

Em 2009, na disputa da Copa das Confederações, ele foi o pivô de uma crise com os organizadores do evento na África do Sul. Chefe da delegação brasileira, o dirigente reclamou da violência no país e disse que não levaria seus parentes ao Mundial de 2010. A CBF teve que pedir desculpas aos dirigentes da Fifa, que ficaram furiosos. Ele também já disse que o melhor treinador do país era Dado Cavalcanti, então treinador do Paysandu, seu clube de coração, e fez elogios ao lateral Yago Pikachu, que defendia o clube paraense.



Em março de 2016, quando ocupava interinamente a presidência da entidade após Del Nero pedir licença pela primeira vez, Nunes definiu seu estilo de comando. Ao ser questionado pelo senador Romário, que presidia a CPI do Futebol, sobre quem manda na confederação, o coronel aposentado disse que administra a entidade "como uma unidade militar".

A cúpula da confederação toma todo o cuidado para não expor o cartola. No site da CBF, o dirigente raramente aparece e suas declarações na página são protocolares. Ele está mais presente em fotos divulgadas no site. A viagem do cartola de volta ao Pará, sua terra Natal, foi a que mereceu mais destaque.

Em janeiro, ele participou da posse do seu sucessor na federação local e foi recebido por dirigentes de clubes e autoridades locais, como o governador do Pará, Simão Jatene (PSDB). Uma entrevista concedida antes das 7h pelo dirigente a um programa da "Rede Brasil Amazônia de Televisão" foi postada no site da CBF.

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