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Evento hoje comemora reforma do Baenão bancada por torcida


Há quatro meses, um grupo de torcedores azulinos se reunia para dar início a uma das principais atividades em benefício do Clube do Remo nos últimos anos. O objetivo da união, na época, era viabilizar formas de arrecadação de recursos para a reforma do estádio Evandro Almeida, o Baenão.

Embora fosse considerado loucura por algumas pessoas do próprio clube, o que começou com venda de copos no estacionamento do Mangueirão em dias de jogos, hoje é o maior progresso dentre todas as áreas da instituição. E na manhã deste domingo, após uma série de investimentos e planejamento idealizado e executado somente pela torcida, foi entregue, com grande festa, a primeira etapa da obra: o tobogã da 25 de setembro, em evento especial para os remistas.

A festa dos azulinos se concentra nas dependências do estádio Baenão, com uma grande presença de torcedores que participaram da primeira fase do projeto e puderam conferir as obras do estádio remista, que poderá ser entregue na estreia do Leão no Parazão 2018.

Contando com 33 organizadores, além da ajuda de dezenas de outros azulinos, o projeto ‘Retorno do Rei ao Baenão’, acabou se tornando mais uma família que o Mais Querido proporcionou. Segundo Raimundo Simão, coordenador geral da iniciativa, apesar do pouco tempo desde o começo das obras, a entrega e a vontade dos torcedores estabeleceram laços que serão eternos daqui pra frente. “Quando nos reunimos pela primeira vez, quase ninguém se conhecia. Hoje, pode se dizer que somos uma família, e que só cresce. É mais um ciclo de pessoas que se tornam importantes no seu dia a dia, por dividir com você o mesmo sonho e as mesmas vontades”, destacou Simão.

O projeto é um grande exemplo de que, organização e força vontade são grandes elementos para a realização de qualquer tarefa. E, aliado a esses fatores, o respeito e a compreensão são fundamentais para qualquer trabalho grupal. “Todos nós temos nossas diferenças e preferências, mas não temos ciúmes e nem vaidades. Tudo é feito em prol do Remo. Até porque somos torcedores comuns, de arquibancada, e que sentem na pele as mazelas. Por isso, não queremos repetir erros, mas, sim, contribuir com o nosso amor para reerguer o nosso clube”, comentou o também coordenador, Igor Souza.

NOVOS PLANOS

Dividido em 10 etapas, o projeto ‘Retorno do Rei ao Baenão’, é apenas a ponta do iceberg para a comissão de torcedores. Finalizando a primeira parte e com todo o material já disponível para dar início à segunda etapa, a comissão de torcedores tem planos mais ambiciosos para o Clube do Remo, tais como a restauração de outros patrimônios da instituição, como a sede social. Esse é um pensamento futuro, mas que segue sendo elaborado pelo grupo.

“Se conseguirmos deixar o Baenão do jeito que pretendemos, e que está sendo feito, vamos continuar. Sede social, náutica, tudo está nos planos. A torcida nesse momento é essencial, por isso, aproveito para pedir que todos saiam da sua zona de conforto, das redes sociais, e que ajudem o clube da forma que acharem necessário”, destacou o coordenador geral, Raimundo Simão.

Torcida azulina está surpreendendo a todos pela entrega e devoção ao clube. (Foto: Wagner Santana/Diário do Pará)

Para a torcedora e membro da comissão do projeto, Monique Portela, qualquer apoio é bem-vindo. “Nós lidamos com a dificuldade todo o dia, mas o amor fala mais alto. Por isso, é importante que os torcedores se unam. Se não for possível em doação, às vezes um elogio basta para que nós continuemos. Energia positiva e o pensamento que pode dar certo é fundamental”, avaliou Monique.

DOAÇÃO DE TEMPO, DINHEIRO E AMOR

Por ser um projeto ligado à doação, o ‘Retorno do Rei ao Baenão’, naturalmente, conta com algumas histórias interessantes de contribuições por parte de alguns remistas. Como no caso do torcedor Matheus Duarte, de apenas 11 anos, que decidiu cortar e vender os cabelos para ajudar nas despesas das obras do estádio azulino.

Assim como o de Matheus, ocorreram situações semelhantes no que se referem ao esforço de apoiar o movimento. Como no caso do remista Francisco Santos que, de acordo com a comissão responsável pelo projeto, transportou algumas sacas de cimento da sua casa, na Marambaia, até o Baenão, com um carrinho de mão. Para Igor Souza, isso reflete que o amor pelo Clube do Remo é maior do que qualquer dificuldade. “Ao longo do projeto contamos com momentos únicos de doações. Muitos vieram por baixo de sol, de lugares distantes. Como por exemplo, um torcedor que foi da Marambaia até o estádio de carrinho de mão levando sacas de cimento. Meu amigo, se isso não é amor, não sei o que pode ser”, avaliou.

Outro momento ímpar, ao longo desses quatro meses, foi a doação do torcedor Ricardo Campbell, que homenageou o pai falecido, já que o Remo, entre outros fatores, era uma das suas principais ligações com ele. “Infelizmente, ele não pode ver essa iniciativa que os torcedores estão fazendo. Sem dúvida ele iria querer fazer parte disso. Por isso, em homenagem ao seu sentimento pelo clube, fiz uma doação em seu nome, para poder ser um dos responsáveis por essa grande conquista, que é restaurar o nosso estádio”, destacou o torcedor.

VALE TUDO PELO TIME DO CORAÇÃO

No começo do projeto, mesmo com todo o entusiasmo e disposição para dar vida ao alçapão azulino, que chegou ao seu terceiro ano sem receber jogos do futebol profissional, ao se deparar com a real situação do estádio após vistoria, a comissão de torcedores chegou a pensar que a restauração seria impossível, devido a tantos estragos que rodeavam o caldeirão do Clube do Remo. Por outro lado, mesmo sabendo das dificuldades que iriam lidar, os torcedores foram guiados por um sentimento que rege outros 5 milhões de habitantes da Amazônia: o amor pelo Leão Azul.

E foi com essa afeição que o grupo entrou de corpo e alma no projeto, mesmo com todos os insucessos e falta de credibilidade que a instituição vivia, correspondente aos fracassos esportivos e administrativos. Dessa forma, tentando dar um motivo de alegria para a torcida, foi definido que, enquanto existisse um sentimento pelo clube, nada iria pará-los. “No começo foi muito difícil. Quando observarmos de perto, a tristeza bateu forte. Mas sabíamos que o ato dependia apenas de nós. O torcedor do Remo, por isso, precisa ser estudado, pois, independentemente do momento, ajuda e não mede esforços”, ponderou Raimundo Simão.

(Matheus Miranda/Diário do Pará)
22/10/2017

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